Laços que [nos] enlaçam

Igor Morski
Ilustração surrealista | Igor Morski

“O que quer dizer cativar?
É uma coisa muito esquecida… Significa criar laços.”

– Antoine de Saint-Exupéry | O Pequeno Príncipe

 

Porque sozinhos carregamos laços nas mãos, e como crianças que carregam seu manto pelos cômodos da casa, assim andamos com nossos laços [pulsionais]. Mas por quê? Qual a finalidade desses laços que, mesmo pesados e constituídos por forças psíquicas, fazem de nós seus veículos? Aliás, sustentamos esses laços ou eles que nos sustentam?

E como toda meta pulsional é alcançar um objeto de desejo, estamos assim, andando por todas as vias da Vida a fim de usar nossos laços para nos enlaçar a alguém. Pois precisamos dar nomes aos nossos desejos, chamando-os de Rafaela, ou talvez Otávio, Anna, Marcelo. Claro, pois quais são os melhores nomes para darmos aos nossos desejos se não aqueles da certidão de nascimento.

 

“Porque nos dar um nome fora um ato de amor dos nossos pais […]”

 

Porque nos dar um nome fora um ato de amor dos nossos pais, que, além de nos fabricarem, também fabricaram sobre nós fantasias, desejos, e, claro, nossos nomes. Nossos nomes. Um ato que já apontava como seria o restante da nossa vida, tendo nós como destino nomear os nossos desejos e dar sentidos às coisas do mundo.

Estamos andando. Andando pelas vias da Vida. Andando na esperança de enlaçar um amor não vivido, apenas fantasiado, sorrateiro, prestes a [i]mobilizar o outro que terá como missão carregar nossas demandas. Somos o veículo de nossas pulsões, governados por suas forças e forçados a nos enlaçar com o outro. Forçados. Sim, forçados, pois no meio do laço que nos liga ao outro existe um nó chamado força. Pois é necessário ter força para amar e amar para ter força.

 

“[…] pois não existe quem suporte a falta que pertence ao outro.”

 

Assim, governados pela demanda, pelo desejo, e também pelas forças pulsionais de suas psiques, há os que plantam suas insatisfações em terras fantasísticas a fim de um dia colherem alguém que dê conta de seus vazios. E o sujeito que de fato pratica esse tipo de plantação, estará fadado a colher sofrimento, pois não existe quem suporte a falta que pertence ao outro.

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