SER HUMANO

“A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero.”

–  Henry David Thoreau

 

Ser humano é abrir os poros da carne para respirar afeto. É percorrer pelos caminhos da pele e sentir o toque de um outro – feito à nossa imagem e semelhança – que nos ensina que além de sangue, o coração também bombeia amor. Não é fácil Ser humano. Atravessar a tristeza e sobreviver a ela é o orgulho dos miseráveis. E somos todos miseráveis num mundo em que destruímos sua riqueza com a nossa vaidade.

Percorremos as camadas do Tempo e nos alegramos com os avanços da ciência e tecnologia, mas ainda assim continuamos sendo poeira. Estamos aqui, e Estar é um verbo-de-passagem.

 

Existir, certamente não é uma tarefa fácil.

 

É preciso sentir para existir. É preciso sentir para Ser humano. Assentar-se sobre o muro da vida e equilibrar-se para não cair no passado e nem no futuro, enamorando somente a passagem do Agora.

Aliás, presumo que o Agora chama-se presente porque desembrulhamos a vida a todo instante para ganharmos mais horas para abraçar; chamar pelo nome de alguém que amamos; ou para testemunhar mais uma vez o vento balançar as árvores.

E pensando nisso, pergunto: o que diríamos para nós mesmos se nos reencontrássemos quando crianças? Confesso que sentiria vergonha das promessas que morreram pelo caminho, de não ter virado palhaço de circo e tão pouco caçador de tornados. Mas talvez olharia direto para os meus olhos e diria: muitos amores você vai ganhar, mas não se vanglorie, pois tudo o que se ganha é passível de perda, e a perda, meu menino, é a pior tragédia da existência humana.

A perda nos leva para longe de nós mesmos, pois se o amor nos arranca suspiros, a perda nos arranca do chão. Ser humano é saber perder. Ou melhor, somente perder, porque Saber é um discernimento para poucos.

Ser humano é tocar as estrelas e se queimar com elas. Pois prazer e desprazer são as raízes da condição humana, onde renunciamos parte da nossa natureza para obedecermos os valores da civilização, caminhando assim no limite entre a Dor e o Gozo de Ser,

Humano.

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